Qualidade, Pessoas, Cultura & Felicidade: uma nova perspectiva

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Qualidade, Pessoas, Cultura & Felicidade: uma nova perspectiva

Artigo por Pedro Ramos, CEO da KEEPTALENT Portugal.

 

Qualidade numa organização é constituída por PESSOAS que, através de uma CULTURA POSITIVA, encontram FELICIDADE no trabalho e GERAM VALOR.

Esta definição, que elaborei a partir da observação e experiência em diversas organizações de diferentes setores e dimensões, reflete uma interligação profunda entre os fatores humanos e o ambiente de trabalho, reconhecendo que a qualidade não é apenas um conjunto de normas e processos, mas sim uma experiência vivida por todos os colaboradores numa empresa ou organização.

A qualidade tradicionalmente tem sido entendida sob a ótica do produto e do serviço. Certificações, auditorias e métricas são frequentemente utilizadas como ferramentas para assegurar que as organizações cumpram critérios específicos. No entanto, este enfoque técnico pode ignorar uma das componentes mais críticas das Organizações: as  (suas) Pessoas.

Sem a motivação e o envolvimento dos colaboradores, mesmo os processos mais robustos e rigorosos podem falhar em entregar o valor esperado aos clientes.

 

Pessoas: o Coração da Qualidade

As pessoas são a alma de qualquer organização. Estas trazem consigo não apenas competências técnicas, mas também emoções, valores e aspirações. Uma organização que valoriza os seus colaboradores, que os escuta e que promove o seu bem-estar, está a investir na sua própria qualidade. Quando os colaboradores se sentem valorizados e respeitados, a sua produtividade aumenta, assim como a sua lealdade e motivação.

Por outro lado, quando o ambiente de trabalho é marcado por desmotivação, falta de reconhecimento ou pressão excessiva, a qualidade dos produtos e serviços tende a deteriorar-se. Um estudo da Gallup (2024) revelou que organizações com colaboradores altamente engajados e comprometidos apresentam 21% mais rentabilidade e até 17% mais produtividade. Isso torna claro que a qualidade não pode ser alcançada sem o envolvimento das pessoas, o motor mais importante das empresas e organizações.

 

A Importância da Experiência do Colaborador

Hoje, vivemos numa era experiencial, onde a experiência do colaborador se tornou uma prioridade para as organizações ao longo de toda a jornada vivida pelos colaboradores nos seus diversos contextos organizacionais. As pessoas estão cada vez mais atraídas por locais onde se sentem bem, e isso se aplica tanto à sua vida pessoal quanto ao mundo empresarial. A experiência do colaborador abrange todos os pontos de contato que um pessoa tem com a sua organização, desde o momento da contratação até à sua saída da empresa. Em termos práticos, estamos a abranger desde os processos de preboarding e onboarding dos colaboradores até aos processos de offboarding nas empresas.

Quando as organizações prestam atenção à experiência do colaborador, e estão preocupadas em proporcionar excelentes experiências às suas Pessoas, não apenas melhoram a satisfação e a felicidade no trabalho, mas também criam um ambiente mais inovador e produtivo e, como consequência, melhoram os resultados. Ambientes de trabalho que priorizam a experiência do colaborador mostram-se mais eficazes em atrair e fidelizar talentos. Iniciativas como espaços colaborativos, feedback contínuo, aposta em lideranças humanizadas e positivas, desenvolvimento profissional e reconhecimento são elementos chave para promover uma experiência francamente positiva às suas Pessoas.

Uma análise recente (2024) realizada pelo LinkedIn indicou que mais de 70% dos colaboradores consideram a experiência do colaborador nas suas decisões de mudança de emprego. Isso demonstra que as organizações que não investem numa experiência positiva correm o risco de perder talentos valiosos para concorrentes que o fazem de forma mais acuidada. Assim, a qualidade de vida no trabalho torna-se um fator competitivo importante.

Importa, aqui, porém, referir que a Felicidade organizacional é, na minha opinião, uma consequência e não um processo. As empresas e organizações atuam sobre os fatores de bem-estar físico, emocional, psicológico, entre outros, proporcionando as condições às suas pessoas que, vivenciando as melhores experiências em contextos colaborativos, ficam consequentemente mais vezes e por mais tempo… Felizes. Acredito que, de forma direta, ninguém faz feliz ninguém… as pessoas ficam e são felizes em função das condições de bem-estar e das boas experiências que vão vivenciando nas suas organizações.

 

Cultura Positiva: o Ambiente Propício

A cultura organizacional é o conjunto de valores, crenças e comportamentos que moldam a forma como a organização opera. Uma cultura positiva é aquela que promove a cooperação, a inovação e a segurança psicológica, sendo este último um dos aspetos mais relevantes nos atuais contextos organizacionais desafiadores. É um ambiente onde os colaboradores se sentem à vontade para expressar suas ideias, assumir riscos e aprender com os seus próprios erros.

Empresas que constroem, desenvolvem e demonstram uma cultura organizacionais sólidas podem gerar resultados extraordinários. O incentivo à criatividade, programas de bem-estar e a flexibilidade no trabalho são iniciativas que não apenas promovem o bem-estar e a felicidade, mas também estimulam a entrega de produtos e serviços de alta qualidade, melhorando os resultados do negócio. Quando os colaboradores estão felizes, eles são mais propensos a ir além, colaborar e se dedicarem, resultando numa experiência de cliente de nível superior.

 

Felicidade no Trabalho: Uma Questão de Prioridade

A felicidade no trabalho é frequentemente subestimada, mas é um dos pilares essenciais para o sucesso das organizações.

Quando os colaboradores encontram satisfação e felicidade no que fazem, isso se reflete na sua interação e relacionamento com colegas e clientes, assim como na qualidade do trabalho apresentado. E todos sabemos que vivemos num mundo cada vez mais relacional e colaborativo.  A felicidade não é um estado permanente, mas sim uma condição que deve ser cultivada constantemente, através de um investimento nos fatores que proporcionam bem-estar de forma holística.

Vários estudos concluem que a felicidade no trabalho está ligada a diversos fatores, incluindo o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, oportunidades de crescimento e aprendizagem, e um ambiente de apoio e “cuidado” pelas pessoas. A implementação de programas de bem-estar, flexibilidade no horário de trabalho e a promoção de atividades de team building são exemplos de ações que podem contribuir para aumentar a felicidade dos colaboradores.

 

Gerar Valor: O Resultado Final

Gerar valor é o objetivo último de qualquer organização. No entanto, este valor não deve ser visto apenas em termos de resultados financeiros. O verdadeiro valor é multifacetado e inclui a satisfação do cliente, a reputação da marca, a fidelização dos talentos e o impacto social (leia-se, a pegada que a organização deixa ao mundo que a rodeia). Portanto, uma abordagem centrada nas Pessoas e numa cultura positiva não é apenas uma questão de altruísmo; é uma estratégia inteligente para assegurar a sustentabilidade e o crescimento a longo prazo da organização. Estas a falar do impacto que cada empresa e organização pode causar para além das paredes ou portas da própria organização…

 

Esta é uma Nova Era de Qualidade?

A qualidade, quando entendida através da lente das Pessoas, Cultura e Felicidade, modifica profundamente a forma como as organizações devem operar. A qualidade não é um destino, mas uma jornada que envolve todos os membros da organização, de cima para baixo. É hora de (re)definir todas as prioridades e focar no que realmente importa: a criação de um ambiente de trabalho onde as Pessoas possam fazer acontecer, sentiram-se bem, serem felizes e, desta forma, gerar valor para o acionista.

Em suma, a qualidade deve ser vista como um compromisso contínuo com as Pessoas, por meio de uma cultura positiva que fomente o bem-estar e a felicidade. Apenas desta forma, podemos garantir que a organização não só responde aos desafios atuais, mas acrescenta valor e é sustentável num mercado cada vez mais competitivo.

 

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