Diversidade cognitiva: a mãe de todas as formas de diversidade

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Diversidade cognitiva: a mãe de todas as formas de diversidade

Artigo por Pedro Ramos, CEO da KEEPTALENT Portugal.

 

Nos últimos anos, a diversidade e a inclusão têm sido temas centrais nas discussões organizacionais. Embora existam muitos estudos sobre a crescente importância desses temas, particularmente a diversidade de género, cultura e gerações, a diversidade cognitiva é frequentemente negligenciada. No entanto, pode muito bem ser a forma de diversidade mais poderosa, oferecendo às organizações uma vantagem única na adaptação a desafios imprevistos e na prosperidade em ambientes que mudam rapidamente.

E o que é a Diversidade Cognitiva nas Organizações? É a possibilidade de ter, pensar, gerir e potenciar… a criação de equipas formadas com Pessoas que pensem (realmente) de forma diferente umas das outras.

A importância de termos equipas constituídas por pessoas que pensam de forma diferente em Angola e no mundo

No actual cenário global, caracterizado pelo acrónimo BANI (Frágil, Ansioso, Não-linear e Incompreensível), a importância de formar equipas diversificadas com pessoas que pensam de forma diferente tornou-se essencial. Este novo mundo apresenta desafios complexos que requerem abordagens inovadoras e soluções criativas, o que só pode ser alcançado por meio da diversidade cognitiva.

Em Angola, assim como no resto do mundo, a diversidade de pensamento traz uma gama de benefícios significativos. Primeiro, as equipas compostas por indivíduos com diferentes perspectivas e experiências são mais capazes de identificar e resolver problemas de maneira eficaz. Quando diversas vozes são ouvidas, as soluções propostas tendem a ser mais completas e a considerar múltiplos ângulos, o que é fundamental em um ambiente volátil e incerto. Este tipo de diversidade é especialmente relevante em Angola, um país repleto de riqueza cultural e diversidade étnica, onde a combinação de diferentes conhecimentos e experiências pode impulsionar a inovação e o desenvolvimento.

Formar equipas compostas por pessoas que pensam de forma diferente é a chave do sucesso, especialmente à luz das características do nosso actual mundo BANI.

Além disso, a formação de equipas diversificadas promove a resiliência organizacional. Num mercado em constante evolução, onde as mudanças são rápidas e, muitas vezes, inesperadas, organizações que têm uma base sólida de diversidade cognitiva são mais adaptáveis. Equipas que pensam de maneira diversa são mais “equipadas” para responder a novas informações e se ajustar a situações inesperadas, permitindo que as organizações não somente sobrevivam, mas prosperem em tempos de crise.

Outro aspecto essencial é a capacidade de promover a inclusão social e a equidade. No nosso actual mundo onde as desigualdades persistem, equipas formadas por indivíduos de diferentes contextos económicos, sociais e culturais ajudam a criar uma cultura organizacional mais justa e equitativa. Isso não só melhora a motivação dos colaboradores, aumentando a satisfação e a fidelização de talentos, mas também reflete uma imagem positiva da organização junto ao público e dos clientes, especialmente em mercados como o angolano, onde a responsabilidade social é cada vez mais valorizada.

Neste cenário global, onde a competitividade é intensa, empresas que “abraçam” a diversidade são mais propensas para a satisfação dos seus clientes. Os consumidores actuais, cada vez mais conscientes e exigentes, valorizam marcas que demonstram compromisso com a inclusão e a sustentabilidade. Equipas diversificadas auxiliam as empresas a se conectarem melhor com os seus clientes, proporcionando produtos e serviços que realmente ressoam com as necessidades e desejos de uma população variada.

Por outras palavras, poderemos afirmar que formar equipas compostas por pessoas que pensam de forma diferente é a chave do sucesso, tanto em Angola quanto no mundo, especialmente à luz das características do nosso actual mundo BANI. A diversidade de pensamento não é apenas uma vantagem competitiva; é uma necessidade estratégica em um ambiente de negócios complexo e em rápida mudança. Ao valorizar e integrar diferentes perspectivas, as organizações podem não somente enfrentar desafios com mais eficácia, mas também contribuir para um futuro mais inovador, inclusivo e sustentável.

O poder inexplorado da diversidade cognitiva

A diversidade cognitiva refere-se à variedade de processos de pensamento, abordagens de resolução de problemas e perspectivas que os indivíduos trazem para a sua organização. Ao contrário de outros tipos de diversidade — como género, raça ou cultura—, a diversidade cognitiva é menos visível, tornando-se mais difícil de identificar e, muitas vezes, menos priorizada. 

Contudo, várias pesquisas recentes mostraram que organizações que valorizam a diversidade cognitiva conseguem inovar, adaptar-se e sustentar-se melhor diante de crises e apresentar melhores Resultados.

Além de ser um imperativo moral, a diversidade é cada vez mais reconhecida como um activo empresarial.

Um dos benefícios principais da diversidade cognitiva é a sua capacidade de trazer múltiplas perspectivas para “cima da mesa. Diferentes formas de pensar permitem que as equipas abordem o mesmo problema sob vários ângulos, gerando soluções mais abrangentes e criativas. 

Esta amplitude de pensamento não se resume somente a ter origens diferentes, mas também a aproveitar modelos mentais diversos e formas de compreender e interpretar o mundo. Quando as equipas são compostas por pessoas que pensam de maneiras variadas, as organizações estão menos propensas a serem surpreendidas por problemas ignorados pelas normas culturais dominantes.

Por que é que as Organizações têm dificuldades com a diversidade cognitiva

Apesar dos seus benefícios, a diversidade cognitiva nem sempre é acolhida positivamente nas organizações. Existem duas razões principais para que isso possa acontecer: primeiro, é menos visível do que outras formas de diversidade, como o género ou a raça, tornando-se mais difícil para os líderes reconhecerem a sua importância. 

Em segundo lugar, as organizações frequentemente criam barreiras culturais que restringem características cognitivas diversas. Os colaboradores tendem a inclinar-se para aqueles que pensam e se expressam de forma semelhante, o que pode resultar na constituição de equipas homogéneas e de “pensamento convergente e comum”.

Esta tendência para a uniformidade é problemática porque leva a oportunidades perdidas para introduzir a inovação e resolução de problemas. Num mundo onde o ritmo de mudança é implacável, as organizações que não conseguem abraçar a diversidade cognitiva correm o risco de estagnação ou declínio. Como as várias crises passadas mostraram, as empresas com culturas homogéneas são frequentemente as mais vulneráveis ao colapso, para o insucesso e, muitas vezes, para a sua dissolução…

O imperativo ético e empresarial da diversidade cognitiva

Além de ser um imperativo moral, a diversidade é cada vez mais reconhecida como um activo empresarial. Equipas diversas, particularmente aquelas com uma variedade de abordagens cognitivas, estão melhor preparadas para inovar, correr riscos e resolver problemas complexos. Vários estudos internacionais estão a evidenciar que equipas cognitivamente diversas não apenas tomam melhores decisões, mas também demonstram uma maior resiliência diante do fracasso.

No entanto, a diversidade cognitiva só funciona se os líderes criarem um ambiente que incentive o surgimento de ideias diferentes. Meramente contratar talento diverso não é suficiente; as organizações devem fomentar uma cultura que permita à diversidade cognitiva prosperar. Isso envolve promover activamente um local de trabalho onde diferentes estilos de pensamento são valorizados, e onde os indivíduos se sintam seguros para expressar as suas perspectivas únicas sem medo de julgamentos ou represálias.

 

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